O cenário atual de Itabirito tem gerado preocupação entre diversos setores da sociedade. Para Ricardo Oliveira, ex-vereador e candidato a prefeito nas ultimas eleições, é necessário abrir um debate sério sobre as prioridades da administração municipal e os resultados efetivamente entregues à população diante da expressiva arrecadação que o município possui.
Com uma das maiores arrecadações provenientes da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) em Minas Gerais, além de uma arrecadação robusta de impostos, a cidade deveria apresentar avanços significativos em áreas estratégicas como habitação popular, saúde, inclusão social, desenvolvimento econômico e infraestrutura urbana.
Um dos principais questionamentos está relacionado à política habitacional.
“ Atualmente, apenas 144 unidades habitacionais estão previstas para entrega, sendo um empreendimento financiado com recursos do Governo Federal. A pergunta que fica é: onde está o projeto próprio de habitação popular do município?”
“A arrecadação de Itabirito permite que a cidade tenha programas habitacionais mais ousados. Precisamos de um planejamento que utilize áreas institucionais e recursos municipais para garantir moradia digna às famílias que mais precisam”, destaca Ricardo Oliveira.
Outro tema que preocupa é a implantação do tão aguardado Centro de Hemodiálise. A proposta foi apresentada à população durante o período eleitoral e consta entre os compromissos assumidos pela atual administração. Entretanto, passados aproximadamente um ano e meio de governo, as obras ainda não foram iniciadas.
Para centenas de famílias, o serviço representa qualidade de vida, economia e dignidade, evitando longos deslocamentos para tratamento em outros municípios.
A inclusão também é apontada como um dos desafios da atual gestão. Apesar dos discursos e campanhas institucionais, ainda existem inúmeras demandas de pessoas com deficiência, famílias atípicas e grupos que necessitam de políticas públicas mais efetivas e permanentes.
Além disso, Ricardo Oliveira chama atenção para os impactos das desapropriações realizadas nos últimos anos. Segundo ele, mais de R$ 120 milhões foram destinados a esse tipo de ação durante a gestão anterior, da qual o atual prefeito participou como vice-prefeito.
“A população tem o direito de saber quais foram os benefícios concretos desses investimentos e qual o retorno efetivo para a cidade. Precisamos discutir se os recursos estão sendo aplicados nas prioridades corretas”, afirma.
A situação da infraestrutura urbana também é alvo de críticas. Moradores relatam frequentemente problemas como lâmpadas apagadas, crescimento excessivo de mato em áreas públicas, ruas com buracos e necessidade de manutenção em diversos bairros.
“Não estamos falando de uma cidade sem recursos. Estamos falando de uma das cidades mais ricas de Minas Gerais. Por isso, a população espera uma prestação de serviços compatível com a arrecadação que o município possui”, ressalta.
No campo econômico, outro ponto de preocupação é a dificuldade em atrair novos investimentos. Apesar da existência de áreas destinadas à instalação de empresas, o desenvolvimento econômico ainda avança em ritmo abaixo do esperado.
Para Ricardo Oliveira, é fundamental fortalecer parcerias com as mineradoras, ampliar incentivos para atração de empresas, gerar empregos e preparar Itabirito para um futuro menos dependente da atividade mineral.
“A mineração não é infinita. Precisamos pensar no futuro agora. É necessário discutir a criação de mecanismos permanentes de proteção financeira, como um fundo soberano municipal, capaz de garantir recursos para as próximas gerações quando a atividade mineral reduzir sua participação na economia local.”
Por fim, Ricardo Oliveira defende uma ampla reestruturação das prioridades administrativas, colocando as pessoas no centro das decisões.
“Itabirito tem potencial para ser referência em qualidade de vida, inclusão, desenvolvimento econômico e gestão pública. O que falta é transformar a arrecadação histórica em resultados concretos para a população. Ainda há tempo para corrigir rumos, mas a cidade não pode perder mais oportunidades”, conclui.

