O município de Itabirito encerrou o ano de 2025 com déficit de R$ 52.190.656,92, consolidando o quarto ano consecutivo de saldo negativo entre receita e despesa. As informações constam nos relatórios oficiais do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), órgão responsável pela fiscalização das contas públicas municipais.
De acordo com os dados, a receita total arrecadada em 2025 foi de R$ 803.692.980,30, enquanto a despesa empenhada alcançou R$ 855.885.662,22, resultando em um desequilíbrio expressivo nas contas públicas de Itabirito.
O cenário ocorre em meio à queda na arrecadação municipal, especialmente na CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) — uma das principais fontes de receita da cidade. No ano passado, Itabirito perdeu R$ 52 milhões em arrecadação da CFEM, impacto que contribuiu diretamente para a redução das receitas e agravou o quadro fiscal.
Histórico fiscal mostra mudança após período de superávit
A série histórica aponta que o município viveu uma fase de superávit até 2021.
Em 2020, Itabirito registrou saldo positivo de R$ 139.886.777,79. Já em 2021, o superávit foi ainda maior, atingindo R$ 267.045.610,54.
A partir de 2022, o cenário mudou. O município fechou aquele exercício com déficit de R$ 11.811.543,22.
Em 2023, o rombo aumentou significativamente, chegando a R$ 228.908.494,13, o maior da série analisada.
No ano de 2024, o resultado negativo foi de R$ 79.879.876,20.
Agora, em 2025, apesar da redução do déficit em comparação aos anos anteriores, o município segue no vermelho, com R$ 52 milhões negativos.
Dependência da mineração e pressão sobre o orçamento
A queda na arrecadação da CFEM em Itabirito evidencia a forte dependência do município em relação à mineração. Oscilações no preço do minério de ferro, variações na produção e fatores econômicos externos impactam diretamente o volume de recursos recebidos.
Com menos receita disponível e despesas elevadas — como folha de pagamento, contratos, custeio da máquina pública e manutenção de serviços essenciais — o município enfrenta desafios para manter o equilíbrio fiscal, cumprir metas da Lei de Responsabilidade Fiscal e garantir investimentos.
Debate sobre sustentabilidade financeira
Os números divulgados pelo TCE-MG reforçam a necessidade de discussão sobre planejamento orçamentário, controle de gastos públicos, arrecadação municipal e diversificação econômica.
Com quatro anos consecutivos de déficit nas contas públicas, o cenário fiscal de Itabirito segue como tema central no debate político e econômico local, principalmente diante dos impactos que o desequilíbrio pode gerar na execução de obras, oferta de serviços públicos e sustentabilidade financeira do município nos próximos anos.

