A saúde mental de estudantes esteve no centro das discussões do V Fórum de Saúde Mental realizado na última quarta-feira (25), em Itabirito (MG). O encontro reuniu profissionais das áreas de saúde, educação e integrantes da rede intersetorial para debater os principais desafios enfrentados por crianças e adolescentes no ambiente escolar, em meio às rápidas transformações sociais e tecnológicas.
Realizado no Centro Administrativo, o evento propôs reflexões sobre o avanço de problemas relacionados ao bem-estar emocional de estudantes, tema que tem ganhado cada vez mais relevância no debate público. Entre os pontos abordados, estiveram o aumento de diagnósticos de transtornos mentais, a pressão por desempenho e os impactos do uso intensivo de tecnologias digitais no cotidiano escolar.
Durante o fórum, especialistas chamaram atenção para fenômenos como a patologização da infância — quando comportamentos considerados comuns passam a ser tratados como doenças — e a crescente medicalização da vida, especialmente entre jovens. Também foram discutidas as influências de padrões estéticos impostos pelas redes sociais, que afetam diretamente a autoestima e a saúde emocional dos estudantes.
O médico psiquiatra Alexandre Silva destacou que o ambiente escolar tem refletido uma série de mudanças sociais que exigem novas formas de cuidado. Segundo ele, o aumento de diagnósticos nem sempre está acompanhado de uma análise aprofundada das causas, o que pode levar a abordagens superficiais ou excessivamente baseadas em მედicação.
Já a terapeuta ocupacional Ana Luísa Magalhães ressaltou a importância de compreender o estudante de forma integral, considerando fatores sociais, familiares e emocionais. Para ela, a escola precisa se consolidar como um espaço de escuta e acolhimento, e não apenas de cobrança por resultados acadêmicos.
O fórum também evidenciou a necessidade de integração entre diferentes áreas para enfrentar o problema. Profissionais destacaram que ações isoladas têm pouco efeito diante da complexidade da saúde mental, sendo essencial o trabalho conjunto entre educadores, famílias e equipes de saúde.
Apesar das discussões, especialistas apontam que ainda há desafios significativos na implementação de políticas públicas eficazes voltadas à saúde mental no ambiente escolar. Entre eles, estão a falta de profissionais especializados, a sobrecarga de professores e a ausência de estratégias contínuas de acompanhamento dos estudantes.
Outro ponto levantado foi a importância de ampliar o debate para além de eventos pontuais. Para os participantes, iniciativas como fóruns e seminários são relevantes, mas precisam ser acompanhadas de ações práticas e permanentes no dia a dia das escolas.
O prefeito Elio da Mata afirmou, durante o evento, que o tema exige atenção contínua e que o município busca acompanhar as mudanças sociais que impactam os estudantes. No entanto, especialistas presentes reforçaram que o avanço nessa área depende de planejamento, investimento e, principalmente, da execução efetiva das propostas discutidas.
A discussão sobre saúde mental nas escolas tem se intensificado em todo o país, impulsionada pelo aumento de casos de ansiedade, depressão e outros transtornos entre jovens. Em Itabirito, o fórum reforça a necessidade de aprofundar o debate e transformar diagnósticos em ações concretas que cheguem à realidade dos estudantes.

