A eleição para a nova diretoria do Sindsemi, sindicato que representa os servidores públicos municipais de Itabirito, ganhou força nos últimos dias e passou a mobilizar servidores de diferentes setores da administração pública. O que inicialmente era tratado apenas como uma disputa sindical, hoje é visto por parte da categoria como um embate político sobre os rumos da entidade nos próximos anos.
Além do aumento nas filiações, impulsionado após a mudança da mensalidade sindical para 3% do salário mínimo — cerca de R$ 48,60 mensais — servidores têm intensificado articulações para fortalecer uma das chapas que disputam o comando do sindicato.
Nos bastidores, o principal debate gira em torno da independência da entidade diante da administração municipal.
Disputa vai além da pauta sindical
Servidores ouvidos pelo Mais Itabirito afirmam que a eleição deixou de ser apenas uma discussão sobre direitos trabalhistas e passou a representar uma disputa sobre quem terá influência dentro do sindicato.
A votação para escolha da nova diretoria está marcada para o próximo dia 16/05 e poderão participar os servidores sindicalizados com pelo menos 01 ano de filiação.
De um lado está a Chapa 1, intitulada “Juntos Somos Mais Fortes: Quem Luta Conquista”, ligada à atual diretoria do Sindsemi. O grupo defende uma linha de atuação mais combativa e independente em relação ao governo municipal.
Já a Chapa 2, “Sindicato para Todos”, se apresenta como alternativa de diálogo e renovação. No entanto, integrantes da categoria apontam uma suposta proximidade de membros da composição com a gestão do prefeito Elio da Mata.
Entre servidores, a chapa adversária passou a ser chamada por alguns grupos de “chapa branca”, termo usado no meio sindical para definir entidades vistas como alinhadas ao governo.
Chapa 2 teria sido impugnada
Outro fator que elevou a tensão no processo eleitoral foi a informação de que uma das chapas teria sido impugnada após questionamentos envolvendo dois integrantes que, apesar de serem servidores efetivos, atualmente ocupam cargos comissionados na Prefeitura.
Além disso, também foram levantadas discussões sobre familiares desses integrantes ocuparem funções dentro da administração municipal.
A situação reacendeu um antigo debate dentro do funcionalismo sobre possíveis conflitos de interesse envolvendo membros sindicais e cargos de confiança no Executivo.
Histórico gera desconfiança
A relação entre sindicato e governo municipal já foi motivo de críticas em outras gestões da entidade. No passado, diretorias do Sindsemi também tiveram integrantes ocupando cargos comissionados ou identificados como simpatizantes da administração pública.
Segundo servidores, esse histórico gerava desconfiança entre filiados, principalmente em momentos de negociação salarial, reivindicações trabalhistas e cobranças ao Executivo.
Agora, em meio ao novo processo eleitoral, o tema voltou ao centro das discussões.
Relatos de pressão política
Servidores também relataram ao Mais Itabirito que teriam sido procurados por pessoas ligadas politicamente à atual gestão municipal solicitando apoio à chapa concorrente.
As declarações aumentaram o clima de polarização entre os grupos e reforçaram, entre parte da categoria, o discurso sobre a necessidade de um sindicato independente.
Até o momento, não houve posicionamento oficial da Prefeitura sobre os relatos.
Vitória judicial é usada como principal trunfo
Entre os argumentos apresentados pela chapa ligada à atual diretoria está uma importante vitória judicial obtida em 2025.
Na ocasião, o sindicato conseguiu decisão favorável determinando o descongelamento do período da pandemia relacionado à Lei Complementar 173/2020. Com isso, a Prefeitura de Itabirito foi condenada a computar os 19 meses do período para fins de progressões e pagamentos aos servidores.
A conquista passou a ser utilizada pelo grupo como demonstração de atuação efetiva em defesa da categoria.
Clima de eleição deve aumentar até a votação no dia 16/05
Com a proximidade da eleição, a tendência é de aumento nas mobilizações e debates entre os servidores municipais.
Enquanto um grupo defende a manutenção de uma postura mais firme diante do Executivo, outro aposta em um modelo baseado no diálogo institucional.

