Essa pergunta volta a ecoar todos os anos entre os itabiritenses quando o Carnaval se aproxima. Para muitos, ela vem acompanhada de saudade. Saudade dos carnavais lotados, dos trios elétricos, com abadás esgotados, e do tempo em que Itabirito era reconhecida como um dos melhores carnavais do interior de Minas Gerais.
Quem viveu o auge da festa, do fim dos anos 1990 até cerca de uma década atrás, sabe bem do que se fala. A cidade recebia foliões de várias regiões de Minas Gerais e até de outros estados, especialmente de lugares onde o Carnaval não tinha força. Nesse período, Itabirito se transformava em um polo cultural e turístico, movimentando o comércio local e projetando seu nome.
O cenário começou a mudar em 2009, quando Belo Horizonte voltou a investir no Carnaval de rua. O sucesso foi imediato. A capital, antes esvaziada nesse período, passou a atrair multidões. Muitos foliões que vinham para Itabirito ficaram por lá — e muitos moradores da cidade passaram a seguir o mesmo caminho. Outras cidades mineiras também apostaram nesse modelo e fortaleceram suas festas.
Enquanto isso, Itabirito foi perdendo espaço ano após ano. Nem mesmo atrações nacionais conseguiram recuperar o brilho de antes. Artistas consagrados passaram pela cidade, mas o público já não respondia da mesma forma.
Em 2026, a situação se agrava. A crise do minério, somada a problemas de gestão, resultou em um Carnaval mais modesto: apenas atrações locais, circuito reduzido e mudanças simbólicas, como a saída do tradicional palco do Largo do Banco do Brasil. Ao mesmo tempo, cidades vizinhas — mesmo enfrentando dificuldades financeiras — seguem investindo em grandes nomes e atraindo turistas.
Diante disso, a discussão vai além da nostalgia. O Carnaval de Itabirito não acabou de repente. Ele foi sendo enfraquecido pela falta de planejamento, pela ausência de uma política cultural consistente e pela falta de uma visão estratégica que entendesse a festa como investimento, não apenas como gasto.
O Carnaval não morreu, mas está longe de seus melhores dias. Ele ainda vive na memória coletiva de quem viu a cidade cheia, vibrante e acordada até o amanhecer. Sem planejamento cultural e compromisso com a cultura e a economia local, corre o risco de permanecer apenas assim: como uma saudade que aperta o peito, mas já não ocupa mais as ruas.

