A vereadora Rose da Saúde (PSB) fez duras críticas à atuação da Secretaria Municipal de Saúde de Itabirito após relatar que teria sido impedida de acessar a portaria interna da UPA do município. Segundo a parlamentar, o episódio representa uma tentativa indevida de interferência no trabalho do Poder Legislativo e uma afronta às prerrogativas dos vereadores.
Em pronunciamento firme, Rose afirmou que não aceita qualquer tentativa da pasta da saúde de impor regras à Câmara Municipal.
“Não concordo e não vou aceitar a Secretaria de Saúde querer dar ordens na Câmara. Saúde não manda na Câmara”, declarou.
A vereadora destacou que sempre atuou com respeito e educação ao visitar unidades de saúde e que jamais entrou em hospitais ou UPAs de forma desrespeitosa. Segundo ela, a visita à unidade ocorreu após ser chamada por uma pessoa que solicitou sua presença.
Documento da Secretaria de Saúde gera indignação
O episódio ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de um documento emitido pela Secretaria Municipal de Saúde em conjunto com a coordenação da UPA, que, segundo Rose da Saúde, estabelece orientações consideradas aburdas quanto à circulação e atuação de vereadores dentro da unidade.
“É uma vergonha ler aquele documento. Um absurdo”, afirmou a parlamentar, classificando o conteúdo como desrespeitoso e incompatível com o papel fiscalizador do Legislativo.
Rose afirmou que o prefeito Elio da Mata (Cidadania) desconhecia a existência do documento e reforçou que ele foi produzido internamente pela Secretaria de Saúde e pela coordenação da UPA, sem o devido alinhamento institucional.
Episódio na UPA foi inédito, diz vereadora
Segundo Rose da Saúde, essa foi a primeira vez em toda sua trajetória política que foi impedida de entrar em uma unidade de saúde.
“Eu nunca fui barrada de entrar em um hospital. Nunca. E agora, ser barrada na UPA no mandato da atual gestão é algo extremamente grave”, afirmou.
A vereadora reforçou que não houve qualquer atitude de desrespeito de sua parte e que sempre pautou sua atuação pelo diálogo. “Eu nunca entrei na UPA desrespeitando ninguém. Respeito vai e vem. Eu não tiro direito de ninguém e não deixo tirar o meu”, declarou.
Decisão de não acionar a polícia e relação com o prefeito
Rose afirmou que, apesar de ter sido barrada, não acionou a polícia no momento do ocorrido por consideração pessoal ao prefeito. “Eu não chamei a polícia porque tenho muito carinho pelo prefeito. Ele é uma das poucas pessoas que eu gosto muito”, disse.
No entanto, a vereadora deixou claro que sua postura será diferente caso o episódio se repita. “Eu deixei claro que, se isso acontecer novamente, eu vou chamar a polícia. Não é confronto, é defesa de direito”, afirmou.
Em um desabafo mais duro, Rose criticou o ambiente atual da UPA e o clima vivido na unidade. “Ultimamente, você olha para uma pessoa que você gosta muito dentro da UPA e chega a dar nojo de olhar, diante de tanta coisa errada que está acontecendo”, declarou.
Defesa dos direitos dos vereadores
Para Rose da Saúde, a situação não é apenas pessoal, mas institucional. Ela defendeu que sejam resguardados os direitos dos 15 vereadores da Câmara Municipal de Itabirito, independentemente de partido ou posição política.
“Hoje foi comigo, amanhã pode ser com qualquer outro vereador. Isso precisa ser tratado com seriedade”, afirmou.
A parlamentar confirmou que irá assinar uma petição conjunta com outros vereadores, que será encaminhada ao Ministério Público, solicitando a apuração do documento emitido pela Secretaria de Saúde e pela coordenação da UPA.
Fiscalização e transparência em debate
O caso reacende o debate sobre transparência, respeito institucional e os limites de atuação da Secretaria Municipal de Saúde em relação ao Poder Legislativo. Para Rose, impedir ou dificultar o acesso de vereadores às unidades de saúde compromete diretamente a fiscalização e o atendimento às demandas da população.
“Quem precisar de mim, e eu puder ajudar, eu vou ajudar. Esse sempre foi e sempre será meu papel”, concluiu a vereadora.
Enquanto isso, o episódio segue repercutindo no cenário político local e pode gerar novos desdobramentos com a possível atuação do Ministério Público, ampliando o debate sobre a relação entre Executivo, Legislativo e a gestão da saúde pública em Itabirito.

