Na manhã deste sábado, (28/02), moradores do bairro Marzagão, em Itabirito (MG), deram um exemplo de união comunitária e mobilização popular diante do que classificam como descaso da limpeza pública municipal. Sem respostas do poder público, os próprios moradores se organizaram para realizar a roçada da entrada principal do bairro, utilizando ferramentas próprias e força de vontade.
Participaram da ação os moradores Osires, Tiago, José, Geraldo e Valdenei e outros, todos reconhecidos na comunidade como lideranças comunitárias e pessoas de boa-fé, segundo relatos locais. Um vídeo gravado por Valdenei mostra claramente os voluntários trabalhando desde cedo, reforçando que poderiam estar dedicando o tempo a atividades pessoais, mas optaram por agir em prol do bem coletivo.
Durante a gravação, os moradores afirmam que estão cansados de esperar por melhorias que nunca chegam ou, quando chegam, vêm após longos períodos de atraso. Segundo eles, a última limpeza pública no bairro aconteceu há mais de seis meses, o que motivou a iniciativa.
“A gente espera demais. Outros bairros são atendidos, mas o Marzagão parece esquecido”, relatam os moradores no vídeo.
A reivindicação principal é que o bairro Marzagão seja reconhecido e tratado com a mesma dignidade que outras regiões da cidade. Eles alegam que as melhorias sempre demoram e que a situação se repete há anos, gerando frustração e sentimento de abandono.
Em tom de ironia e protesto, um dos moradores brinca no final do vídeo que vai medir o serviço realizado e enviar a conta para o prefeito e o vice-prefeito, citando nominalmente Elio da Mata (Cidadania) e Raphael Rondow (PSB), para que “eles também recebam” pelo trabalho feito exclusivamente pela população.
Os moradores reforçam que toda a limpeza foi realizada apenas por residentes do bairro, sem apoio de máquinas, equipes ou materiais da prefeitura. A ação, além de resolver parcialmente o problema, chama a atenção para a necessidade urgente de políticas públicas mais eficientes, manutenção regular da limpeza urbana e respeito às comunidades periféricas.
O caso do Marzagão escancara uma realidade enfrentada por muitos bairros: quando o poder público falha, a população se organiza. Ainda assim, os moradores deixam claro que não querem favores, mas sim direitos básicos garantidos e igualdade no atendimento municipal.

