A concessão da BR-356 foi oficialmente assinada pelo Governo de Minas Gerais e marca uma mudança significativa na gestão de uma das rodovias mais estratégicas do estado. A estrada, fundamental para o transporte de cargas, o turismo e o deslocamento diário de milhares de motoristas, passará a ser administrada pela iniciativa privada, com a promessa de obras estruturais, modernização e aumento da segurança viária.
O contrato de concessão foi vencido pelo consórcio Rota da Liberdade, que assumirá a gestão de aproximadamente 190 quilômetros de rodovias, ligando a Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ao município de Rio Casca, na Zona da Mata. O trecho inclui importantes cidades históricas e econômicas, como Ouro Preto, Mariana, Itabirito e Nova Lima.
Obras previstas na concessão da BR-356
Entre os principais investimentos anunciados, está a duplicação da BR-356 em trechos considerados críticos. Ao todo, 78,7 quilômetros da rodovia serão duplicados, além da implantação de 40,66 quilômetros de terceiras faixas e acostamentos em 100% do trecho concedido.
O contrato também prevê a construção de um contorno viário em Cachoeira do Campo, com 7,3 quilômetros de pistas duplas, medida que deve reduzir o tráfego pesado em áreas urbanas e aumentar a fluidez do trânsito.
Outras intervenções incluem:
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Recuperação completa do pavimento
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Modernização da sinalização horizontal e vertical
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Implantação de passarelas para pedestres
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Construção de uma área de escape na Serra da Santa, em Itabirito, para veículos com falha nos freios
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Criação de um Ponto de Parada e Descanso próximo ao distrito de Amarantina, voltado a caminhoneiros e trabalhadores do transporte rodoviário
Pedágio na BR-356: como vai funcionar
A cobrança de pedágio na BR-356 faz parte do modelo de concessão, mas só terá início após a conclusão das intervenções previstas para o primeiro ano do contrato, como melhorias no pavimento e na sinalização. Segundo o governo estadual, os valores seguirão critérios contratuais e serão fiscalizados por órgãos competentes, garantindo transparência e padrões mínimos de qualidade.
Os recursos arrecadados com o pedágio serão utilizados para custear as obras, a manutenção contínua da rodovia e os serviços prestados aos usuários, como atendimento emergencial e suporte operacional.
Investimentos e impactos econômicos
O volume total de investimentos previstos é de R$ 5 bilhões, sendo cerca de R$ 1,7 bilhão provenientes do Acordo de Reparação do Rio Doce. A expectativa do governo é de que a concessão gere empregos diretos e indiretos, aqueça a economia local e fortaleça setores como o turismo e a logística.
Durante a cerimônia de assinatura, o governador Romeu Zema (Novo) destacou os benefícios da concessão. “A concessão vai trazer mais turismo, investimentos, empregos, desenvolvimento e melhorias para a vida dos mineiros que vivem e circulam na região”, afirmou.
Redução do tempo de viagem e mais integração regional
Com a conclusão das obras, o governo estima uma redução de até 40 minutos no tempo de viagem entre Belo Horizonte e Rio Casca. O deslocamento da capital até Ouro Preto também deverá ser reduzido em mais de 20 minutos, melhorando a mobilidade e a integração entre regiões estratégicas do estado.
A BR-356 atravessa 11 municípios — Nova Lima, Rio Acima, Itabirito, Ouro Preto, Mariana, Acaiaca, Barra Longa, Ponte Nova, Urucânia, Piedade de Ponte Nova e Rio Casca — e exerce papel central no escoamento da produção industrial, mineral e turística de Minas Gerais.
Novo modelo de gestão da BR-356
Com a concessão rodoviária, o poder público transfere à iniciativa privada a responsabilidade por investimentos, operação e manutenção da estrada, enquanto mantém a fiscalização e o controle dos padrões de qualidade. O início da operação da concessionária está previsto para meados de março, após a fase inicial de planejamento e adequações operacionais.

